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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

#7 - Parkour, conceitos e a "falácia do escocês verdadeiro"

Faz algum tempo que não escrevo nada por aqui... o blog ficou parado tanto tempo que acho que mudarei o nome para “anuário de um traceur”.
A verdade é que este ano foi um ano bem conturbado pra mim, e apesar de não ter parado de estudar, refletir e treinar parkour, não consegui organizar minhas idéias para atualizar o blog com uma frequência bacana. E entre postar qualquer merda só pra dar volume nos posts e deixá-lo parado, eu prefiro dez vezes deixá-lo parado (não que normalmente o conteúdo fosse sensacional... mas vocês entenderam :P).

De qualquer forma estou tentando reviver este blog faz um tempo, e o momento atual do cenário parkouriano me motivou a escrever sobre uma discussão que tem acontecido bastante devido a acontecimentos recentes.

Porém, antes de tratar desta discussão em especial eu acredito que seja necessário abordar aqui um tema que eu já queria ter abordado a muito tempo e que será pertinente para diversas argumentações que eu usarei daqui pra frente (e talvez também seja útil para vocês refletirem e construirem um maior entendimento sobre o Parkour).

Eu honestamente sinto que em algum momento ele precisaria existir, pois ele baseia muitos pontos sobre os quais me apoio para interpretar a prática. Tentarei então, deixar as pontas bem amarradas para a compreensão do que eu estarei tentando mostrar.

Bom, vamos lá...

É usual as pessoas tentarem encaixar o Parkour em algum conceito pré estabelecido como ‘Esporte’, ’ginástica’, ‘Arte’, ‘método de treinamento’ e etc... Mas já a algum tempo, vendo as diferentes interpretações, a falta de uma definição única e a extrema dificuldade de emoldurá-lo, eu tenho cada vez mais refletido sobre o fato do parkour ser um conceito por si só.

Mas o que é um conceito?

Antes de mais nada, vou puxar um parênteses para dizer que é interessante pontuar que existe uma diferença entre “definição” e “conceito”. Esta é uma discussão EXTREMAMENTE COMPLEXA na filosofia, e eu NUNCA conseguiria elucidar completamente esta diferenciação neste texto, porém vou sintetizá-la de uma forma mais prática para que possa ser contextualizada no presente assunto (além de, é claro, deixar referências no final do texto para quem se interessar em se aprofundar).
Resumidamente, definição é uma forma de tentativa de caracterização do objeto através da sua essência, daquilo que o torna único, que o separa dos demais objetos. Enquanto isso o conceito, embora também seja uma tentativa de delimitação de sentido, aborda aquele objeto levando em consideração o ponto de vista e ideias mais aprofundadas sobre seu contexto. Por isso, ás vezes, apesar de ser possível delimitar-se uma definição sobre algo, é comum que haja conceitos alternativos para este mesmo (E as possibilidades de interações entre conceitos e definições são várias).

Um exemplo é a palavra “Democracia”. Existe uma definição, uma essência particular da palavra que é a idéia do governo que vem do povo. PORÉM, o conceito de democracia pode variar de autor para autor... pois a discussão aprofunda-se em diversas variáveis como pontos de vista e contextos variados.

Mas continuando... o que é mesmo um conceito?

Conceito pode ser definido de várias formas e é um assunto extremamente complexo no âmbito filosófico.
Geralmente é entendido como o conjunto de idéias que representam e significam algo.

“O conceito é aquilo que se concebe no pensamento sobre algo ou alguém.”[..]” Também pode ser interpretado como um símbolo mental, uma noção abstrata contida em cada palavra de uma língua que corresponde a um conjunto de características comuns a uma classe de seres, objetos ou entidades abstratas, determinando como as coisas são.
O conceito expressa as qualidades de uma coisa ou de um objeto, determinando o que este é e o seu significado.” (https://www.significados.com.br/conceito/)

“Do latim conceptus, o termo conceito refere-se à percepção, à ideia formada mentalmente, isto é, pelo entendimento.”  (http://conceito.de/conceito)  

Existem várias formas de se criar uma concepção sobre algo, eu vou me focar aqui em 2 aspectos, que para este texto serão os mais relevantes.

A primeira forma de se interpretar e reconhecer o ambiente é através do que é conhecido como Conceito Concreto. Este permite que o indivíduo registre informações a partir dos nossos sentidos (Vendo, ouvindo, cheirando, provando e tocando). Este conceito foca-se no “aqui e agora”, não se preocupa tanto em considerar “significados ocultos” naquela informação e não estabelece relações entre idéias e seus respectivos conceitos.

Como exemplo desse conceito podemos utilizar aspectos que podem ser caracterizados pelas suas particularidades detectáveis através dos 5 sentidos, como: Um Triângulo, uma pedra, uma casa, ou a cor verde. Você conseguiria sozinho estabelecer significados através da sua percepção de que cada coisa é uma coisa... encontraria padrões sem ninguém precisar te dar uma enciclopédia.

A segunda forma é o que chamamos de Conceito Abstrato. Consiste basicamente na formulação de idéias e significados que vão além dos 5 sentidos. Essa forma de reconhecimento é formulado através da concepção de idéias e de entender aquilo que não pode ser visto ou detectável através de seu tato, visão, audição, paladar e olfato. Parte da idéia de que ás vezes “nem tudo é o que parece”. Todo debate é construído através da ontologia, estabelecendo relações entre conceitos, ideias, linguagem e realidade. Alguns exemplos desse tipo de concepção da realidade são: Liberdade, Lucro, Ciência e etc. Coisas que não se significam de uma forma tão simples quanto a simples observação do “aqui e agora” e demandam certa abstração, introspecção e estudo.

Essa linha de pensamento conceitual (vinda principalmente dos pensadores antigos como Platão e Aristóteles) é área de estudo das disciplinas de Filosofia, Linguística, Psicologia e Ciência cognitiva. Em outras palavras é uma abstração e uma forma de se refletir para aquilo que é real.
Bom... para visualizar o que isso tem a ver com Parkour é necessário entender que a prática nasce de um conceito abstrato... algo que não necessariamente é tão simples de se conceber apenas através dos seus sentidos, pois parte de idéias como fotalecimento, criatividade, desafios, autonomia e desenvolvimento pessoal. Mas apesar de iniciar-se de uma mentalidade, ela se personifica e se torna real através de um conceito concreto... através de padrões de movimentação como correr, saltar, escalar, rolar e do uso desses padrões para superar obstáculos. Tudo muito facilmente observável e detectável através da visão e do tato. Tanto é que não é preciso que uma pessoa seja aprofundada na essência das ideias do parkour para conseguir olhar um praticante saltando e concluir “Olha, que legal, Parkour!” (e logo depois pedir “-faz um mortal pra eu ver?” ¬¬’).

Partindo dessa idéia, o parkour enquanto conceito constrói-se através de uma associação dos conceitos abstratos e concretos. Coisas que são observáveis, como os padrões e técnicas de movimentação (conceitos concretos, coisas que de fato nos permitam caracterizar e definir a prática) juntamente a idéias e ontologias que norteiam a ideologia de cada praticante (conceitos abstratos, os quais dificilmente podem ser limitados, dada a subjetividade na interpretação de cada um sobre aquilo que faz).

Como não existe um livro de regras, tampouco uma instituição que regulamente a prática e a defina como um formato “A”, “B” ou “C” pode-se assumir que essas construções e o próprio método de treino torna-se um conceito subjetivo, o qual será construído baseado nas referências que cada pessoa tem ao longo da sua vida enquanto traceur. Essa referência pode vir de vídeos na internet, pode vir de documentários, pode vir de praticantes que conheceu ou de estudos que a pessoa fez, e baseado nestas idéias, transforma em movimentos aquilo que ela entendeu e o que ela acredita.

Parkour nunca foi divulgado ou abordado como uma disciplina emoldurada, finalizada e pronta para consumo. Nunca existiu um livro do tipo “Guia básico para o Parkour: Regras e limitações da prática” ou “O Parkour verdadeiro”, simplesmente porque, na visão original, era pra ser algo voltado pra construção da própria autonomia e liberdade. Essa idéia é claramente passada através da análise da última entrevista que David Belle concedeu a Tim Shieff, onde afirma coisas como:

- “Parkour não é uma possessão minha, Parkour é uma coisa que eu vivi e que eu doei. E Parkour será o que você fará dele.”
- “Todos são livres para fazer do Parkour o que quiserem”
- “você achará seu próprio caminho”.

Também é observada no livro “Find your Way” do Foucan.

“[...] trata de viver a vida em toda sua plenitude, mentalmente, fisicamente e espiritualmente – e esta é a razão porque o seu caminho não tem nome, nenhuma palavra pode encapsular a sua jornada.” (Find Your Way – pág 17)

Esse relativismo de conceitos também pode ser observada no Ciné Parkour:

“O Parkour é um fenômeno multidimensional que pode ser experimentado como arte, disciplina de treinamento, esporte, conjunto de valores e prática da liberdade, dependendo das motivações de um indivíduo, seu entendimento cultural e da exposição à história da prática. A pesquisa estabelece que o parkour é uma maneira imaginativa e particular de pensar;” (Angel. Julie, Ciné Parkour - a cinematic and theoretical contribution to the understanding of the practice of parkour, 2011)

E também durante o documentário “Geração Yamakasi”:

“[...]É uma forma de liberdade, um meio de expressão, uma maneira de se ganhar auto-confiança. Seu conceito nunca é claramente definido.” (Chau Belle – Geração Yamakasi, parte 1)

Independente da fonte que se utilize o Parkour nunca é tratado como algo imóvel e imutável. Os criadores deixaram a idéia da prática enquanto ferramenta para se conhecer, e que poderia ser utilizado como o praticante escolher. (Ps: todos os links para as referências estarão no final do texto)
Além disso, se o encararmos como um conceito abstrato pode-se concluir que sua significação ideológica fica á cargo do observador (no caso, os próprios praticantes) que acrescentam seus pontos de vista e formas de se conceber aquilo.

 Idéias são abstratas, subjetivas, algo que não pode ser visto, tocado ou provado como absoluto. E o fato de não existir uma única definição conceitual que crie um muro imaginário separando as visões, ainda que discordantes, torna uma diversidade enorme de manifestações ideológicas no Parkour válidas. E isso é tão facilmente comprovável que mesmo entre os próprios criadores haviam discordâncias. A prova disso é a própria confusão feita ao longo do tempo com relação as nomenclaturas utilizadas (Tema que eu já abordei neste post e que é muito bem explicado pelo Bruno Peixoto neste vídeo).

O fato é que não existe uma bíblia do parkour, que diga o que faz e o que não faz parte da prática (E mesmo se existisse, não faria a menor diferença pois como David Belle diz muito bem “não é possível impedir as pessoas de criarem suas próprias interpretações”. Prova disso é a quantidade de religiões cristãs com suas respectivas bíblias... se a idéia fosse algo imutável o cristianismo nunca teria tantas vertentes).

Como não temos um guia escrito, o Parkour é passado adiante através do famoso boca-a-boca. Esse processo é bem estudado e conhecido como “Tradição Oral”, e é utilizado à milênios como forma de se passar informações, memórias e conhecimento de um determinado grupo através da fala. (Referências no final do texto). Isso torna-se um grante telefone-sem-fio onde o que aprendeu com outras pessoas é perpetuado e passado adiante, num processo contínuo.

Como existem diferentes interpretações da mesma prática, alguns valores são acrescentados, alguns tirados e no final das contas não é de se surpreender que os conceitos da atividade sejam tão diferentes se você migrar de grupo pra grupo ao redor do mundo. As ideologias e formas de se aplicar a parte prática mudam muito, e isso é natural, visto que a concepção de todo o movimento parte de um ponto de vista subjetivo... baseado em motivações e interpretações individuais, o que faz cada forma de se praticar algo extremamente pessoal.

Visto a atual velocidade com que as informações são divulgadas e acessadas hoje em dia, essa avalanche de interpretações tomam as redes sociais, fazendo com que as concepções mais antigas fiquem cada vez mais “apagadas” no “passado da internet”. Quanto mais novo você for dentro do Parkour, mais difícil fica de você conhecer os conceitos e idéias aplicados pelos fundadores da prática, e quanto mais longe da fonte primária, mais diluídos ficam seus conceitos originais.

Tá, mas quem está certo então? Os fundadores?

Sinceramente.... se você leu tudo isso até aqui e ainda tá achando que tem ‘certo’ e ‘errado’ nessa história... você leu tudo errado, lê de novo.

Resumidamente, só para esse texto não ficar ainda mais gigantesco:

O Parkour é uma prática em comum, que pode ser definida como um método de treinamento que permite ao individuo utilizar seu corpo para se locomover no ambiente (ou seja, tem uma definição específica mais superficial), mas é passível de interpretações e conceituações pessoais (discussões, reflexões e interpretações que o tornam um conceito abstrato). Logo, o que cada um faz da sua prática é um particular que diz respeito unicamente á consciência daquele determinado indivíduo.

“Mas eu não concordo com a forma que ele pratica... as idéias dele não são iguais as minhas.”

O Parkour enquanto conceito, como mostrado, não é uma apropriação sua pra você dizer como tem ou não que ser a prática de outra pessoa. Não é como se você tivesse os “direitos autorais” sobre toda a idéia envolvendo os conceitos, o que o tornaria o que você quisesse que fosse. Se nem os próprios criadores instituiram limites, então talvez você deva parar de tentar restringir as concepções alheias. No máximo você pode impor limites para a sua própria prática, a sua própria interpretação do Parkour, mas nunca a dos outros.

“Então você está dizendo que se alguém saltar um muro pra roubar uma casa, aquilo é parkour?”
É claro que tem muito praticante cabeça-de-vento por aí... que não se dá ao trabalho de pesquisar, de buscar referências e construir suas idéias com coerência e coesão. Mas isso não descaracteriza o parkour dele, só o torna extremamente superficial, raso e fraco. Como diz o ditado “A opinião mais burra do mundo continua sendo uma opinião.”.

Obviamente o parkour não se resume a “pular muro”. Não é porque alguém está pulando de um telhado pro outro, ou escalando uma árvore, ou mesmo fazendo um vault... que necessariamente ele está fazendo parkour. Como eu disse antes, Parkour, além de sua definição física, é um conceito, uma mentalidade. Se a pessoa se identifica como um praticante de parkour e dentro do entendimento dela, aquilo se encaixa na sua interpretação,então amigo, ele está fazendo parkour sim. E, PASMEM, um praticante de parkour pode sim utilizar da sua prática pra roubar uma casa.

O Parkour é apenas uma ferramenta, um instrumento que pode ser utilizado de diversas formas diferentes, tanto pra bem, quanto pra mal.

Mas é claro que existem alguns parâmetros que são consensuais entre os praticantes e que norteiam o entendimento do conceito inteiro. São bem conhecidos os lemas “ser forte para ser útil” e “ser e durar” importados do Método Natural de George Hebert. Também todos identificam-se com determinadas técnicas de movimentação que são bem características do Parkour. Além disso a ideia da prática consistir em métodos de treino que permitam ao individuo ultrapassar obstáculos de forma eficiente, explorar o ambiente, ressignificar o espaço, superar os próprios medos e limitações, se fortalecer e se desafiar utilizando apenas o próprio corpo também é algo bastante fixo na comunidade em geral e bem citado em artigos científicos publicados. Apesar de não podermos cercear os conceitos, podemos partir de uma definição bastante clara, que foi construída através da própria forma de se movimentar dentro da atividade.

No geral as pessoas tem mais contato com o conceito concreto (definição) do Parkour, aquilo que é observável em vídeos, porém a parte ontológica e seus conceitos abstratos, tanto básicos, quanto os profundos, só são possíveis de se entender com algum estudo e vivência dentro da prática, e a partir daí as possibilidades de concepções e interpretações acerca da prática são inúmeras (Aristóteles fala bastante da concepção de um objeto através da experiência).

O que se conclui então?

Seguindo este raciocínio, pode se concluir que existe um “ponto A” no Parkour, uma definição ‘essencial’ sobre o qual os praticantes apoiam-se para começar a entender o que é a prática, e a partir de um certo ponto a pessoa passa a interpretá-lo dependendo de suas próprias compreensões.
Por essa razão não há como excluir interpretações diferentes... não há como afirmar que “Parkour não é isso” ou “Parkour é aquilo”. Parkour tem giro? Parkour tem competições? Parkour é arte? É esporte? É filosofia de vida? Tudo depende de como você vai interpretar os seus próprios conceitos e como vai construir seu entendimento do todo (Mas se quer a minha opinião sobre parkour ser um esporte eu apresento alguns argumentos neste texto). O máximo que você pode dizer com relação ao que é ou não Parkour é baseado em princípios básicos. Mas se a pessoa está se desafiando, está ultrapassando obstáculos, está explorando o ambiente, está utilizando o próprio corpo para superar seus medos, e o mais importante, aquela pessoa entende aquilo que ela está fazendo como Parkour, Então porque não seria?

Claro que é necessário o mínimo de bom-senso para não viajar demais em suas interpretações. Como dizer que tomar café ao som de aerosmith enquanto acaricia seu gato Dejair é Parkour, porque sim.... é necessário o mínimo de coerência com as bases conceituais consideradas concretas na prática. Mas ao mesmo tempo nada impede que você utilize a mentalidade construída no Parkour para outras coisas na sua vida, como superar um problema no seu trabalho ou ser útil para sua família... porém é necessário entender quando se está utilizando a “mentalidade do Parkour” e quando se está, de fato, o praticando.

Então se alguém daqui pra frente vier te falar que “Tal coisa não é ‘Parkour de verdade’” ou que “Parkour puro não tem isso”, saiba que muito provavelmente ele está utilizando uma falácia clássica conhecida como “Falácia do Escocês de verdade”, que consiste em tentar defender uma ideologia como ‘perfeita’ desconsiderando as provas evidentes de que nem todo mundo se comporta daquele determinado modo naquele respectivo grupo. Quando apresentadas as evidências a saída é apelar desonestamente para “Ah, essa prova não vale porque ele não é um praticante de verdade”. Eu sei que a essa altura vocês já imaginaram o exemplo mais clássico das polêmicas no Parkour, os giros. Sim amigos, este é um excelente exemplo de uma falácia argumentativa:

“Pessoa A: - Parkour não tem giros.
Pessoa B: - Mas existem diversas pessoas que fazem parkour e que giram.
Pessoa A: - Eles não fazem Parkour de verdade, fazem outra coisa.”

Claro que não existe forma nenhuma de excluir uma pessoa de um grupo só porque ela pratica algo que você não concorda. O que deve ser observado é todo o contexto que já foi citado acima. Você pode sim discordar de determinadas atitudes dentro do grupo, mas não se utilizando de uma forma falaciosa de argumento, que busca fugir dos fatos e fechar os olhos para as evidências. Normalmente isso é utilizado para tentar “defender um grupo” de uma pessoa que tenha feito algo desonroso, ou considerado errado de alguma forma. Porém existem formas honestas e verdadeiras de se argumentar sem precisar excluir do grupo o coleguinha que fez algo lamentável. Afinal, isso além de desonesto é uma covardia absurda, afinal, você claramente quer fugir do fato de ter que aceitar que o seu grupo não é perfeito.

 Deixarei nas referências uma explicação mais aprofundada sobre essa falácia, que é bem típica.
Por fim, para fechar o texto eu gostaria de deixar claro que não é porque a prática do Parkour pode ser interpretada de diversas formas diferentes, que isso necessariamente é bom. Há sempre a necessidade de se discutir se determinadas atitudes, codutas e pensamentos devem ser socialmente aceitos na prática e, juntos, construirmos uma mentalidade ética e moral que seja honesta partilhada por todos nós, praticantes. E para elucidar um pouco tudo isso que eu quis dizer até agora, vou utilizar uma citação do avô do David Belle que está em seu livro.

“Com uma faca você pode escolher se tornar um serial killer ou um escultor” (David Belle’s Parkour – Interview with the founder of the discipline by Sabine Gros La Faige. Página 16)

A responsabilidade é sua!

Espero ter contribuido em algo com você que leu até aqui, obrigado pela paciência.

Fiquem a vontade para criticar, debater, compartilhar e construir conhecimento.

Em breve (mesmo) postarei a "continuação" deste texto, que ficará linkado AQUI, assim que sair.



                                                                                                              Atenciosamente, Um Traceur.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

#6 - O Erro


Querido diário há algum tempo uma pequenina grande amiga pediu para que eu escrevesse algo sobre erros. Eu sinceramente não fazia ideia do que escrever ou de como abordar esse tema, levei um bom tempo pensando em como conseguiria tratar deste tema com a real relevância que ele merece. Hoje ainda tenho um grande receio de escrever sobre isso, mas acredito estar um pouco mais maduro e, talvez, mais preparado pra encarar esta pauta.


Bom, o que será que a palavra “erro” significa? (Preciso muito comprar um dicionário)
Erro - Ato ou efeito de errar. Juízo ou julgamento em desacordo com a realidade observada; engano. Qualidade daquilo que é inexato, incorreto. Desvio do caminho considerado correto, bom, apropriado; desregramento. (Google)
s.m. Opinião, julgamento contrário à verdade: cometer erro.
Falsa doutrina; opinião falsa. Engano, equívoco: erro de cálculo.
Errar é uma possibilidade presente em nossas vidas desde a primeira vez que tentamos algo até o momento em que morremos. É uma característica presente nas nossas vidas e extremamente necessária para o processo de aprendizado.
Normalmente pode acontecer por diversas razões, e são inúmeras as variáveis que interferem no acerto ou desacerto de um trabalho, seja ele qual for. Dentre as diversas formas e manifestações do erro podemos assumir que, no geral, a forma como lidamos com ele, independente de onde aconteça, pode ser a mesma. Então não importa onde você tenha errado, seja em uma conta de matemática, na tentativa de uma nova técnica de movimentação, seja na sua vida profissional ou no convívio com outra pessoa, os pensamentos a seguir poderão (ou não) ser aplicadas em ambos os casos.
É usual encarar a situação do erro como algo passível de punição. Somos acostumados a apontar o dedo para os erros dos outros e tratá-los como motivo de chacota, piada ou demérito. A grande prova disso é o quanto as pessoas acham engraçado quando alguém cai, escorrega ou é desastrado de alguma forma. Se isto fosse mentira, programas como “vídeo-cassetadas do Faustão”, “Partoba” e “fail army” nunca fariam o sucesso que fazem.
Por muito tempo, esta atitude era vista no próprio ambiente escolar. Parafraseando Cortella: “Quantas vezes na escola, quando se acertava, colocava-se um "C" pequenininho no trabalho, e quando errava, um ‘E’ em vermelho grandão, valorizando algo que tem que ser corrigido e não punido.”.
Rir dos erros das pessoas é muito mais conveniente do que ajudá-las a acertar não é mesmo? E apenas quando falamos dessa forma, enxergamos o quão lamentável pode ser a nossa conduta sem ao menos perceber.
Novamente citando Mario Sergio Cortella “O erro não deve ser punido e sim corrigido.”. O erro é parte fundamental no processo de exploração, tentativa e claro, no aprendizado. Não houvesse erros, equívocos e resultados falhos nas tentativas de se descobrir algo, nós NUNCA evoluiríamos nossa percepção e conhecimento científico, tampouco nossa sociedade tão dependente dos avanços tecnológicos. Lembre-se que para cada acerto, centenas, senão milhares de pessoas erraram das mais diversas formas e cada erro foi fundamental para que seus sucessores pudessem fazer diferente, e através das correções desses erros prévios, acertar.
É aqui que chamo a atenção para algo que considero essencial entendermos. O erro em si não significa nada se não soubermos identificá-lo, humildemente entendê-lo e corrigi-lo. Ou seja, nós não aprendemos com ele, e sim com a sua correção. Por isso a frase “O erro é humano, mas persistir em cometê-lo é burrice” apesar de ser extremista, é bem coerente. Digo que é extremista, pois ás vezes persistir em um erro não constitui necessariamente burrice, pode significar simplesmente que você ainda não aprendeu o que deveria com aquilo.

Engana-se aquele que pensa que os mais experientes não erram. Não importa se você é um mestre, você será sempre aprendiz dos erros que ainda não cometeu. E acredite, por melhor que você seja, sempre haverá essa possibilidade.
Obviamente não devemos premiar o erro e enaltecê-lo como a única forma ou mesmo a mais eficiente de aprendizado, pois isso seria uma grande mentira, o que proponho aqui é apenas admiti-lo e entendê-lo como uma parte importante para o seu próprio crescimento pessoal em qualquer área.
O que realmente deve ser punido, principalmente no parkour, é a negligência, imprudência e a falta de bom senso.
Através do parkour você tem uma grande possibilidade de aprender coisas incrivelmente úteis para a sua vida e uma delas, sem dúvidas, é a capacidade de identificar seus próprios erros e trabalhar para corrigi-los.
Claro, previna-se para não cair, mas caso caia NUNCA pense que isso significa que você é menos capaz. Aceite que isso é uma parte do seu aprendizado, desenvolva sua humildade e assuma-o com honra. Não há demérito em erros, afinal vivemos para aprender e aprendemos muito dessa forma, mas busque sempre melhorar nas próximas vezes. Como disse Einstein “Tolice é fazer as coisas sempre da mesma forma e esperar resultados diferentes.”.
Além disso, sejamos úteis para as pessoas que também erram. Nós, enquanto traceurs, praticantes de uma disciplina que tem na sua essência o altruísmo, deveríamos praticá-lo, afinal o “ser forte para ser útil” não deveria desaparecer quando alguém ao seu lado erra, então se você é do tipo de pessoa que apenas aponta dedos e se diverte com o erro dos outros, saiba que você está sendo uma pessoa extremamente desagradável, não só para o parkour, mas para o mundo, afinal você também erra.
Lembrem-se, não existe fracasso no erro, o fracasso está na arrogância e na resistência em admitir que não sabemos de tudo.
Espero que daqui pra frente você que leu este texto até o final possa talvez enxergar seus erros de outra forma, deixar de se punir e manter-se trabalhando para corrigi-los, tendo coragem e humildade o suficiente para assumi-los e compreender que isso é parte natural da vida de alguém que busca fazer algo bem feito.

Texto dedicado à pequena grande traceuse, Camila Stefaniu Ribeiro s2

Bons treinos.
Atenciosamente, um Traceur.

sábado, 3 de outubro de 2015

#5 - A casca do Parkour

Querido diário, hoje o conteúdo do post será voltado para uma reflexão que tem tomado minha atenção nas últimas semanas. Questionamentos que me fizeram buscar nas minhas origens as razões de fazer o que eu faço. Provavelmente as ideias a seguir cairão num clichê, num modo apaixonado de se enxergar o Parkour. Todavia, achei interessante deixar registrados esses pensamentos particulares para basear e facilitar futuros diálogos.

 É muito difícil escrever sobre a maneira que interpreto a disciplina, pois de alguma forma sinto que ao exteriorizar minha forma de ler as entrelinhas dos percursos acabo deixando de lado o modo como outros praticantes fazem isso. Por essa razão na maior parte dos meus textos busco trazer argumentos fundamentados por outras pessoas, de forma a respeitar o que já está documentado em fontes consideradas “confiáveis”. Isso é basicamente seguir uma premissa científica de revisão bibliográfica. Mas apesar de ser um método universalmente aceito de se fazer pesquisas, tenho sentido que eu me abstive de sentir efetivamente o que o parkour sempre me proporcionou pra me pautar exclusivamente no que outros tinham a dizer.

Deixar de me ouvir fez com que grande parte da minha motivação se esvaísse pelas brechas deixadas na falta de argumentos científicos. Por isso resolvi meditar um pouco para resgatar o sentimento que me manteve de pé, mesmo quando via todos ao meu redor caindo. Não que o conhecimento científico tenha me atrasado, mas em algum ponto eu me desequilibrei. Deixei de sentir apenas para pensar. Estou recobrando o equilíbrio entre essas duas coisas. Por essa razão, esse texto não tem a menor pretensão de atingir grandes públicos nem mesmo de confrontar nenhum ponto de vista que seja diferente ou até antagônico ao meu. Simplesmente quero expressar um pouco do que meu coração tem pra dizer.

Já escrevi sobre o que é parkour em outro post, e existem muitos outros textos e vídeos pela internet que explicam de forma bem didática do que se trata a atividade, então não vou me aprofundar nesses mesmos pontos, a proposta aqui é outra. Como disse, essa é a minha forma de enxergar a prática.

Enfim... Deixa eu parar de enrolação.


“Parkour está em tudo o que faço, na forma como eu vivo e vejo o mundo ao meu redor.”

Esta frase contém um componente muito particular. Uma forma individual de ler e sentir a prática. Algo que nasce dentro de um método de movimentação e se expande para uma mentalidade que cerca e norteia praticamente todo meu caminho.

Vejo parkour como uma forma de construção de autoconhecimento e movimentação útil. Entendo “movimentação útil” como o domínio corporal da forma mais completa possível, compreendendo as ações e razões que te levam a isso. Aprendemos a utilizar nosso corpo em totalidade para desenhar no ambiente infinitas formas de desafiar a si mesmo e dessa forma ampliar cada dia mais a funcionalidade e percepção do nosso corpo.

Temos em nosso corpo centenas de ossos e músculos conectados de diversas formas, formando alavancas que nos dão possibilidades incríveis de movimentação. O parkour é usado pra dar sentido a todas essas alavancas e torná-las funcionais, a fim de sermos capazes de explorar o ambiente que nos cerca. Tornar obstáculos em possibilidades e fazer d’uma ferramenta de liberdade aquilo que antes nos cercava, prendia e impedia.

Acredito que todas as pessoas ao nascerem iniciam esse processo de exploração do mundo com o próprio corpo. Vejo como as crianças aprendem e interpretam o mundo com brincadeiras e experiências de exploração. Ainda que não saibam, estão se desenvolvendo enquanto buscam o seio materno com a boca, engatinham, sobem em árvores, pulam nas pedras de seu quintal, correm livremente pelo pátio durante o recreio e andam pelas guias da calçada como se fossem cordas bambas. Mas infelizmente grande parte é desencorajada a explorar o mundo pelos adultos, e até repreendidos por isso. Dessa forma somos ‘educados’ a não experimentar todas as dimensões do que poderíamos alcançar, utilizando amplamente nosso sistema motor.

É como se o controle sobre nosso corpo tivesse, em algum ponto do nosso crescimento, entrado no piloto automático, e com o parkour voltássemos a controlar nossos movimentos manualmente. Desta maneira fortalecemos nosso corpo e a percepção de diversas formas. Em outras palavras, voltamos a aprender através dos desafios provindos da exploração do mundo a nossa volta. Esse confronto com os obstáculos encontrados durante a exploração de percursos no ambiente nos força a sair da zona de conforto e atingirmos níveis de compreensão sobre nós mesmos que não imaginaríamos que seria possível.

 É através dessa mesma compreensão que é formada, a meu ver, a essência do parkour.
 É quando estou a fluir por entre a paisagem, passando por blocos de concreto, escalando árvores cascudas e espinhentas, aterrissando em pedras escorregadias, equilibrando-me em corrimãos e saltando por fendas profundas que é desperto em minha mente o ponto mais crucial da prática.

 “Por que me tornar forte? Por que me tornar hábil? Por que tantas repetições só pra subir uma parede de uma forma fluída, leve, rápida e eficiente? Ninguém me dará uma medalha por isso, então por que continuar?”

Essas perguntas não se respondem apenas na movimentação em si. Saltar mais alto, mais longe, ficar mais forte, mais rápido, mais resistente, ser capaz de realizar proezas extraordinárias e acrobacias que impressionam até mesmo dublês experientes... Tudo isso são consequências reais e até bem tangíveis dentro da prática, mas ainda assim não representam o propósito real daquelas perguntas. Isso porque elas remetem a introspecções muito mais profundas, que vão além da dimensão meramente física ou ‘tecnicista’ dos movimentos.

Quando chego ao fundo da reflexão, enxergo que não estou mais fazendo aquilo simplesmente pelos ganhos físicos. O parkour ganhou um sentido, um significado enraizado na maior parte das minhas concepções. Eu me movo pelo aprendizado carregado em cada situação de adversidade pela qual passei. Por cada erro cometido, cada medo vencido, por cada obstáculo deixado pra trás, pela pessoa que me tornei e o mais importante, pela pessoa que quero me tornar.

Everything is kung fu - karate kid

Como eu já disse, passei a enxergar o parkour em tudo. Na arquitetura ao meu redor, nas possibilidades de caminhos escondidos na cidade, na forma como caminho, na forma como me comporto perante a sociedade, na forma como interajo com outras pessoas e até na forma como encaro problemas.

O parkour me ensinou que não basta ser forte, se esta força não for direcionada para algo útil, algo produtivo, algo que efetivamente ajude a mim ou a alguém no decorrer da minha vida. Ainda que eu nunca precise sair de um prédio em chamas. Ainda que eu nunca precise salvar alguém em uma situação de perigo. Ainda que essa força me sirva como uma simples forma de expressão corporal. Se eu conseguir utilizar a sabedoria desenvolvida nos meus momentos de treino para persistir em um momento difícil da minha vida, usar minha experiência com o medo para aconselhar e guiar uma única pessoa para um caminho positivo, se me serviu apenas para aprender a apreciar e respeitar coisas pequeninas da vida e da natureza, se o parkour serviu unicamente para conhecer as pessoas incríveis que conheci e estabelecer vínculos tão preciosos pra mim, então vou poder olhar com orgulho para cada calo aberto, cada gota de suor, sangue e cada lágrima derrubada, cada bolha de sangue no pé, cada queda, cada vez que me achei fraco e incapaz e dizer com o peito cheio de alegria que valeu cada segundo investido, que o parkour realmente foi útil na minha história.

Através de todo esse aprendizado que tive durante meu percurso, percebi que meu comportamento reflete diretamente na imagem que eu tenho de mim mesmo, e que se eu não puder ser humilde e aceitar meus erros eu nunca poderei melhorá-los. Mostrou que existem obstáculos em meu caminho que não vão medir esforços em me mostrar o quanto sou fraco, mas que esses obstáculos podem ser utilizados como treinamento para fortalecer o meu corpo, a minha mente e o meu caráter. E entre tantos outros ensinamentos, me ensinou como ser uma pessoa melhor, mais digna, e mais útil para o ambiente em que eu vivo. Afinal, movimentar-se de uma maneira mais funcional, dominar o meu corpo e explorar o ambiente é apenas a “casca” do parkour, porém, o conteúdo trazido de toda essa experiência é o que realmente conta na flow, que eu chamo de vida.

Por isso, o parkour está presente em todos os aspectos da minha vida. Extrapola o momento em que eu me movimento, e envolve toda energia que eu tenho pra viver e pra dedicar às coisas do meu dia-a-dia. Pois se eu sou capaz de vencer desafios ininterruptos enquanto eu treino, por que não seria capaz de vencer desafios na minha vida cotidiana? Se sou capaz de chegar até lugares onde muitos julgariam impossível, por que não fazer isso na minha vida profissional? Se sou capaz de tratar com respeito meus colegas de treino e o lugar onde treino, por que não fazer isso com o ambiente em que vivo e com as pessoas ao meu redor?

É através desse constante exercício de maiêutica que me torno apto a mudar para alguém mais consciente e sábio, para mim e para a sociedade. Afinal como já disse Sócrates, “Conhece-te a ti mesmo e conhecerá todo o universo”.

Portanto, parkour está presente em todos os detalhes particulares da minha vida, pois vem da mentalidade construída através de todos os meus anos de experiências e treinos. Fatores que moldaram não apenas a forma como eu me movimento, mas também, a forma como eu vivo. E pra mim, parkour é mais do que a 'casca'.

Um agradecimento mais do que especial a minha companheira Marina Neves e ao Gustavo Ivo do Parkour Salvador pela ajuda com o texto e por me instigar a sentir e me expressar.

Bons treinos!

Atenciosamente, um traceur.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

#4 - Parkour e escolhas (Desabafo)

Querido Diário, hoje estou escrevendo com um propósito completamente diferente do habitual. Ao invés de passar uma idéia baseada em um método mais científico, cheio de referências, resolvi exercitar um pouco meu poder de raciocínio filosófico e escrever algo mais direcionado a uma opinião.

Estive pensando em escrever algo do tipo a um tempo, mas o que me motivou a concretizar essa idéia foi uma conversa que tive com um amigo sobre nossas escolhas.

Tenho visto alguns iniciantes reclamarem de serem alvos de críticas quando começam a treinar sozinhos, e por pressão dos pais, amigos, vizinhos e a sociedade como um todo acabam por desanimar e desistir de treinar. Este texto é uma forma de tentar explicar e entender o que acontece e de compartilhar um jeito de se motivar mesmo frente a um mundo preconceituoso e reacionário, afinal, se alguém decide se aventurar para embarcar em uma nova jornada, acho justo deixá-lo ciente do que você pode vir a passar. Talvez algo neste texto te ajude a refletir e construir argumentos para dialogar daqui pra frente.

 Estando presente em uma prática que é alvo de constante preconceito por parte dos desinformados e até mesmo uma certa agressividade por parte de outros eu já estou calejado no que diz respeito a críticas e tentativas externas de me fazer desistir das escolhas que eu fiz e faço. Então aqui vai um ponto de vista de alguém que ainda sofre essas mesmas pressões que você, meu caro iniciante.

Vejo hoje uma sociedade cômoda em acreditar que as escolhas feitas pela maioria são irrefutavelmente as melhores a serem tomadas. A descrença em algo que é novo e segue a contramão do status quo é nítida, e em grande parte das vezes esta descrença é baseada no simples fato daquilo ser diferente. Tomo como exemplo as “famílias tradicionais”, que acreditam que qualquer coisa diferente do que a maioria diz seguir é, automaticamente, uma abominação. Infelizmente esse exemplo é o que representa hoje uma enorme parcela da sociedade que prega que o “certo” é convenientemente fazer o que todos fazem. Eu costumo chamar essas pessoas reacionárias de “moda”. E isso abrange todas as culturas de tal forma que conseguimos até caracterizar um padrão. Pessoas sem uma mentalidade própria, que simplesmente replicam argumentos usados por outros, seguem uma linha industrial robótica desde a maneira de se vestir até a maneira como enxergam a vida e a si mesmos. Esses ‘modas’ são a principal força que faz com que mudanças na sociedade aconteçam de forma tão lenta ao longo dos anos (em alguns casos essa resistência é até positiva, mas vou generalizar).

O problema em questão não é a opinião pessoal em si, na verdade ele começa quando pessoas que vivem na própria concha de comodismo pregam categoricamente que as outras pessoas devam fazer o mesmo. Sair da zona de conforto social não é algo simples e nem fácil, mas gostaria aqui de rebater algumas idéias que tenho visto serem replicadas quase sistematicamente, e que no meu ponto de vista, não são saudáveis para o bom convívio e mesmo para o desenvolvimento da sociedade em si.

 Fórmula do sucesso ou fórmula da felicidade

As pessoas tem o costume de buscar fórmulas mágicas que ensinem como ter sucesso em suas carreiras ou em suas vidas, ou pior, tentam pregar religiosamente que algo da certo ou errado UNICAMENTE pelo fato de ser a maneira como ELA, e somente ela, fez. Como exemplo vou usar a questão dos concursos públicos. Eu duvido que alguém com mais de 20 anos nunca tenha ouvido de outras pessoas como é bom passar em concurso público, ter estabilidade na profissão e toda essa papagaiada. De fato, concurso público é uma forma de se levar a vida, e muitas pessoas com certeza se deram bem e são felizes dessa forma. MAS ISSO NÃO ESTABELECE UMA REGRA. Não é porque uma pessoa é feliz sendo funcionário público que outra também vai ser. Ás vezes tudo que a pessoa quer é tentar ser autônoma, tentar construir a vida independendo do governo. E o contrário também é real, não é porque uma pessoa não deu certo na vida de funcionário público que isso não seja possível.

A grande verdade nessa história é que NÃO EXISTE UMA FÓRMULA. Já ouvi até argumentos do tipo: “Mas você tem mais probabilidade estatística de ter estabilidade em um concurso do que como autônomo” (seguindo o mesmo exemplo anterior). E ainda que mostrem inúmeros dados (se é que existem) ou exemplos que corroborem com este argumento a verdade é que VIVER NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA. Nós somos seres humanos completamente diferentes individualmente, existe algo chamado individualidade biológica, que prova por A + B que cada ser humano é diferente biologicamente. Além disso nenhuma pessoa nasce, cresce e se desenvolve de maneira igual. Somos educados de forma diferente e passamos por experiências diferentes em nossas vidas, além do que, temos capacidade de aprender e mudar nossas opiniões no decorrer dos anos. Ou seja, O QUE DA CERTO PRA UM, NÃO NECESSARIAMENTE DA CERTO PRA OUTRO. Quer outro exemplo de que viver não é uma ciência exata? Então vamos lá, imagine agora que você conheceu uma pessoa e se apaixonou, você quer namora-la, mas antes tem que confiar nela. Como saber que essa pessoa não te trairia, por exemplo? Tem como ter certeza? Óbvio que não, afinal você não prevê o futuro (Caso preveja, me add no facebook, quero saber qual o resultado da próxima mega sena). O que dá pra fazer então? No máximo reunir dados que forneçam uma análise de probabilidade. Você pode fazer um exame no indivíduo pra ter noção de um perfil psicológico dele, se ele tem uma pretensão maior ou menor a mentir ou coisa parecida. Ainda pode pesquisar o histórico da pessoa para saber se ela já traiu em algum outro namoro anterior, quantas vezes.... etc. De uma maneira geral você terá bons indícios para deduzir qual a chance dessa pessoa te trair, afinal você tem uma base estatística que fomentam essa possibilidade, certo? ERRADO! Você está desconsiderando totalmente que a pessoa em si pode mudar, pode amadurecer, então mesmo que essa pessoa tenha traído todos os namorados antes, agora ela pode estar mudada, pode ainda amar você muito mais do que amou aos outros e ser a pessoa mais tranqüila do mundo ao seu lado. E o contrário também é verdade, mesmo que ela nunca tenha traído antes nada garante que ela não vá te trair. Ás vezes, mesmo com um bom histórico, ela depois de um ano de namoro, sai com as amigas e conhece o Brad Pitt... ela nunca traiu antes, mas naquela noite... (É o Brad cara, até eu pegaria ele). Enfim, entenderam o raciocínio. Nós não podemos prever o futuro, e quando falamos na vida cotidiana nem a estatística pode definir nada, porque as situações mudam, as pessoas mudam e o que era bom em um dia, pode não ser no outro.

Mas então como saber se você pode ou não confiar em alguém?
Aí que tá, você nunca sabe.

 Confiar diz respeito unicamente em assumir um risco, em uma escolha individual seguindo o que vc acredita ser certo naquele momento. Não tem como prever nada, e se tiver que tomar na bunda porque escolheu errado, você vai tomar. MAS ainda que você não conheça pessoas próximas de você que se aventuraram em algo novo e venceram, saiba que você sempre pode ser o primeiro. Mas esqueça completamente essa idéia de “tem algo maior esperando por mim”, não crie expectativas, pois se não há maneiras de assegurar o seu fracasso baseado em estatísticas ou deduções, também não há certeza de sucesso. Confiar é saber que se arriscou, mas o que vai realmente dizer se você irá ou não vencer é apenas o quanto você está disposto a ir até o fim por uma determinada causa, ou, o quão determinado você é.

Então saiba que vivemos numa sociedade que vai te apontar dedos e te julgar. Afinal enquanto todos seguem os mesmos caminhos, nós trilhamos os nossos. Enquanto todos andam na rua olhando pra frente e pra baixo, nós olhamos pra cima pros lados pra trás e pra todas as direções imaginando a infinidade de possibilidades que a cidade te oferece. Convenhamos, nós somos os estranhos. O que fazemos é diferente, e as pessoas normalmente tem medo do que não conhecem, logo, se você se sentir julgado ou rotulado de algo que você não é, acredite, a maioria de nós já passou por isso também.

Por isso, caro traceur, se está disposto a correr o risco de confiar no que você acredita ser certo, então estude muito, treine muito, trabalhe muito. Você vai errar muito, tomar um milhão de portas na cara e vai ser expulso de vários picos, vai tomar abordagens violentas de policiais despreparados e vai ser muito julgado. Mas seu respeito vai ser construído a cada treino, a cada postura tomada ao receber um ‘não’, a cada hora de estudo perdida para construir um argumento melhor e melhor, na sua determinação e na disciplina que terá ao encarar a vida real com o seu espírito traceur.

Lembre que escolher seguir um caminho não é fácil, sair da zona de conforto é mais difícil ainda, lutar contra a maré é ainda mais hardcore e somente vai descobrir o que significa a palavra "persistência" quando tiver passado por tudo isso.


Espero ter contribuído em algo, não desistam, e bons treinos.



Atenciosamente, Um Traceur.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

#3 - Parkour e Disciplina

Querido diário...
Faz um tempo que não escrevo por aqui... Prometi a mim mesmo que faria um post a cada 30 dias, pelo menos, mas acabei falhando com a minha própria meta. Poderia dar aqui um milhão de desculpas do tipo “estava sem tempo para escrever”, “meu notebook está uma porcaria” (apesar de realmente estar) ou coisas do tipo. Mas serei franco e assumirei que fui indisciplinado. Não consegui manter isso como uma prioridade. E é justamente por isso que hoje tratarei deste mesmo tema (mas é claro que você já sabe disso, tá escrito no título).
Ultimamente tenho sido bem pouco disciplinado no que diz respeito ao blog e até mesmo aos treinos. Diversas vezes deixo a preguiça vencer ou dou qualquer outra desculpa que consiga me confortar e me fazer sentir menos lixo por não fazer o que eu deveria estar fazendo. Mas, tive a oportunidade de ir ao 9º Encontro Paulista de Parkour neste fim de semana do dia 25 e 26 de julho, organizado pela primeira vez pela APKSP, e ele me deu um gás pra voltar. Inclusive quero escrever em breve especificamente sobre eventos e encontros de parkour, mas isso vai ficar pra uma próxima oportunidade, porque hoje o foco é: DISCIPLINA.
Como este é um tema EXTREMAMENTE pertinente dentro do contexto do parkour,  gostaria de dar a devida atenção e fazer uma reflexão mais aprofundada e finalizar afunilando isso para a perspectiva do parkour. Então pode ser que este texto fique um tanto complexo e até meio longo (se bem que nessa altura do campeonato, quem acompanha meus textos já sabe que meu blog não é pra nego que lê resuminho de livro pra prova). Em todo caso, se você acha que aguenta o tranco e tem saco pra isso, bora.
É de praxe ler ou ouvir conceituações de parkour que tratam da prática como uma ‘disciplina’, ou mesmo ouvir coisas do tipo “fulano é disciplinado”. Mas o que será que isso quer dizer exatamente?
Disciplina pode ter vários conceitos dependendo do contexto. Pode ser a subserviência às regras, se interpretada por uma perspectiva militar, ou obediência, no sistema escolar. Pode ser encarada como uma área de conhecimento estudada no campo das universidades ou centros de estudo; e até mesmo como um tipo de castigo ou penitência no contexto religioso. Porém o conceito o qual nos referimos quando falamos de parkour diz respeito principalmente à doutrina ou conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas e ensinadas, e principalmente ao comportamento moral do praticante. Este último é explicado de uma forma bem interessante por Kant.
Para Kant o que distingue o comportamento do ser humano dos demais animais é justamente a diferença no modo de agir. Animais são guiados por instintos naturais, que definem suas ações e retratam a natureza de cada espécie. Instintos são impulsos interiores que fazem um animal executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole. Kant diz que o ser humano não é dotado de instintos, e como ferramenta para nortear os atos de sua espécie, a natureza deu-nos a razão. Neste pensamento a humanidade á adquirida através do afastamento dos impulsos selvagens dos animais. Justamente aqui, Kant afirma que é através da disciplina que o homem transforma a animalidade em humanidade.
O ser humano é um indivíduo inacabado e, não podendo contar com os instintos nos moldes dos demais animais, cabe a si mesmo, através da reflexão, a tarefa de determinar-se a si próprio de maneira autônoma. Deste ponto de vista “a reflexão permite ao homem ser seu próprio mestre.” (KANT).
Apesar de não ter o mesmo instinto dos animais, o homem possui desejos e caprichos imediatos que podem afastá-lo de seus propósitos primários. A reflexão mostra que o homem não é simplesmente submisso aos impulsos do momento. Ela implica, de outra forma, uma espécie de abandono à satisfação dos desejos mais imediatos. Através da reflexão racional o homem é capaz de dominar seus impulsos e desejos, freando as disposições naturais de agir precipitadamente. Para uma melhor organização social e mesmo individual, é necessário que este homem saiba obedecer a regras, sejam elas internas ou externas (como leis judiciais, por exemplo).
A disciplina favorece o surgimento da obediência. Não uma obediência cega e totalmente heterônoma. Muito menos uma obediência a impulsos e desejos imediatos, mas uma obediência às regras racionais autônomas. A disciplina não é apresentada por Kant como uma espécie de escravidão, mas como um processo necessário para a compreensão que devemos sempre seguir regras. É através da disciplina que o homem aprende a agir de forma refletida e organizada.
Apenas respondendo a seus instintos mais imediatos, o indivíduo não reflete, e não refletindo não proporciona o bom desenvolvimento da razão, único meio possível para o esclarecimento.
De uma forma resumida, a disciplina é a capacidade de se obedecer a regras. Mas não obedecer de maneira cega e robótica, e sim uma obediência refletida, esclarecida e autônoma. Dessa forma afastando aos caprichos, desejos e impulsos irrelevantes na nossa caminhada em direção a uma meta.

Vivemos hoje em um mundo cercado de informações, oportunidades e possibilidades. Tanto que torna-se extremamente fácil perder o foco das coisas que realmente importam e, consequentemente, dispersar-se dos afazeres que deveriam ser prioridade. Dessa forma, acabamos fazendo várias coisas ao mesmo tempo, damos atenção a coisas fúteis e deixamos de focar nossas energias naquilo que seria produtivo para o desempenho dos objetivos e metas que visamos. Perdemos, portanto, a maior coisa que podemos investir para fazer com excelência nossos trabalhos, perdemos tempo.
A disciplina é a capacidade e qualidade de se manter focado nas tarefas necessárias para concretização de uma meta sem se desviar e sem perder a motivação. Em outras palavras, é a capacidade que temos em abstrair de tudo aquilo que não é relevante para a realização de um objetivo.
Disciplina diz respeito a organização interna. Saber dizer ‘não’ para as coisas que não são relevantes naquele momento. Porém, apesar da disciplina ser uma ferramenta fundamental para o exercício da excelência pessoal, uma disciplina sem um direcionamento consistente pode te tornar um robô metódico sem necessariamente um fim estabelecido. O benefício da disciplina só é aproveitado quando há objetivos definidos em cima de um propósito firme e existe uma motivação genuína para conquistá-los. Nesse caso, a disciplina vem para estruturar as atividades e extrair maior excelência no desempenho.

Se você chegou até aqui, parabéns!! Se entendeu tudo, mais parabéns ainda!! Se você está feliz, bata palmas!! (8)
Mas e aí, o que isso tem a ver com parkour mesmo? Relaxa amiguinho, você já deve estar cansado de ler, pode ir fazer um cocô e voltar aqui que já irei linkar as duas coisas.

Pronto? Voltou? Limpou o bumbunzinho? Então vamos lá...


Parkour é uma prática que prega o auto aperfeiçoamento constante, a busca pelo auto conhecimento. Treinamos para sermos praticantes melhores e também, pessoas melhores. Treinamos para aprender a lidar com nossos medos, com nosso corpo, com obstáculos físicos e mentais e pra nos tornarmos pessoas fortes e úteis. Treinamos buscando longevidade, respeitamos nossos corpos e respeitamos o ambiente. É claro que é possível sim treinar com tudo isso em mente, mas, diga-se de passagem, essa não é uma obrigação. Haverão pessoas que não se interessam por nada disso e só querem se divertir. Que simplesmente vêem o parkour como um hobbie, e estas deverão ser respeitadas, e não julgadas. Porém se o seu foco com o parkour é realmente dedicar-se e tornar-se melhor com isso, se você já estabeleceu metas na sua cabeça e realmente quer ser um exemplo de praticante, saiba que tudo isso vai demandar disciplina de sua parte. Pois você terá que saber manter-se firme no seu caminho, dizer não para as coisas que não te ajudam, manter-se focado e não praguejar quando tiver que escolher entre parkour ou seus impulsos e caprichos momentâneos, deverá se tornar um exemplo de comportamento moral e ético. Deverá saber obedecer as regras e respeitar aos valores do parkour.  O comportamento de um bom traceur deve sempre ser disciplinado, e não obstante de atingir suas metas, buscar sempre ser o guerreiro que deve ser.
Acho importante salientar que um traceur disciplinado não é necessariamente aquela pessoa que só treina e não tem vida social, não é aquele neurótico que só respira parkour e “foda-se” o resto, não é aquele fiscal de treino que se acha no direito de julgar aquele que treina menos ou de uma forma diferente que a dele. O traceur disciplinado é aquele que sabendo de suas metas e sonhos não fraqueja, mas consegue manter um equilíbrio saudável de seus desejos e seus deveres.
A razão pela qual o ato de disciplinar-se é importante, principalmente dentro do parkour, é justificada por diversos fatores. O primeiro é pelo fato de o parkour ser uma atividade que envolve principalmente a reeducação do corpo e mente. É impossível educar sem disciplina (como mostra Kant em seu trabalho). O ato de educar e desenvolver seu corpo e sua mente remete a um balanço total na sua rotina, você precisará utilizar métodos que vão exigir o máximo de sua atenção e compromisso para que consiga fazer isso de uma forma coerente e condizente com o sustentável “ser e durar” (já explicado neste post).
O segundo diz respeito à imagem que transmitimos enquanto praticantes. Já sofremos preconceito dos outros naturalmente, imaginem se além desses preconceitos ainda dermos argumentos para recriminarem ainda mais o que fazemos. Por exemplo, usarmos drogas, ficarmos bêbados, arranjarmos brigas, desrespeitarmos os outros na rua, vandalizarmos o pico... Esses exemplos dizem respeito ao lado imoral da coisa. O outro lado diz respeito ao próprio estereótipo que a sociedade vai formar do praticante através de você, por exemplo: você é um praticante que objetiva seguir isto como profissão, seja instruindo ou praticando, que imagem que você passará dos praticantes se você (não serei demagogo) for um fraco, se desistir das coisas logo de cara, se não puder nem fazer um simples climb, se ficar usando o que sabe pra chamar a atenção do sexo oposto (ou do mesmo). Sinceramente, qual a imagem você quer que as pessoas tenham daquilo que você prega? Sem a devida disciplina você acaba manchando e denegrindo aquilo que você mesmo ama fazer.
O terceiro diz respeito a sua organização fora do parkour. Um traceur deve ser um guerreiro em tempo integral, parafraseando Laurent Piemontesi no documentário ‘Geração Yamakasi’: “um guerreiro é um guerreiro em tempo integral, nós não vestimos a roupa de ‘forte’ e saímos na rua para brincar de ser forte e quando chegamos em casa, tudo aquilo é esquecido”. O espírito e disciplina de um traceur devem estar sempre ativos a fim de tornar-se também, uma pessoa melhor com a prática.
E o quarto, pra finalizar, diz respeito ao quanto você quer se dedicar para se tornar bom naquilo que faz. Quantas vezes você deixa sua preguiça vencer? Quantas vezes da desculpinhas para não treinar? Você provavelmente quer saltar mais longe, escalar mais rápido, ganhar mais flow... O quanto você está disposto a sacrificar por isso? Deixaria de ir a baladas para fazer agachamentos? Deixaria de ficar vendo porcarias na internet pra estudar e se aprofundar no parkour? Deixaria de comer porcarias pra se dedicar a uma dieta mais saudável? Deixaria de fumar para ter mais fôlego? Deixaria inclusive de treinar se precisasse descansar seu corpo?  Quer aumentar seu desempenho amigo (a)? Então trate de aprender a obedecer regras, a dizer não para o que for fútil, a sacrificar vícios e a dedicar-se nessa vida. Em outras palavras, trate de ser disciplinado.

Quando aprendemos a agir com disciplina, melhoramos não apenas nossa performance, mas também nossa capacidade de sustentar o parkour e mantê-lo vivo.

Não poderia terminar este tema sem antes recomendar a extraordinária leitura do blog do Santigas sobre este mesmo assunto. (Link aqui)

Espero ter contribuído em algo com você que teve a paciência de ler até aqui. Sinta-se a vontade para discordar, debater, sugerir temas, criticar e construir conhecimento.

Agradecimentos especiais ao Jean Wainer, a Ana StramandinoLLi, ao Duddu Rocha e a Marina Neves com o texto.

Bons treinos .

Atenciosamente
Um Traceur


REFERÊNCIAS